
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro.
Quando, em 1930, o pai, José Nepomuceno Afonso, foi colocado em Angola, como delegado do Procurador da República, Zeca Afonso, por razões de saúde, permaneceu em Aveiro, confiado aos cuidados de uma tia e do tio Xico, "republicano anticlerical, anti-sidonista".Tinha então um ano e meio, e cresceu rodeado da ternura das primas e dos tios.
De 1932 a 1937 José Afonso viveu com os pais e irmãos em Angola, o que lhe causou uma profunda ligação ao continente africano que se reflectirá pela sua vida fora. Regressa a Aveiro mas breve se reencontra com os pais e irmãos em Lourenço Marques com quem viverá pela última vez em conjunto até 1938.
Quando, nesse ano, voltou para o continente, José Afonso foi viver para casa do tio Filomeno, (seguidor do salazarismo, pro-franquista e pro-hitleriano) então presidente da Câmara em Belmonte, e aí completou a instrução primária. Seus pais, que entretanto se haviam deslocado para Timor, foram aprisionados pelos ocupantes japoneses, durante três anos, até 1945.
Em 1940 instalou-se em Coimbra em casa de uma tia e aí as suas pulsões mais íntimas sobrepuseram-se às influências familiares. Fez o liceu e a universidade em Coimbra, formando-se em Ciências Histórico - Filosóficas.
Foi professor em vários pontos do País.
Em 1958 José Afonso grava o seu primeiro disco "Baladas de Coimbra" enquanto acompanha o movimento em torno da candidatura presidencial de Humberto Delgado. Mais tarde grava "Os Vampiros" que, juntamente com "Trova do Vento que Passa" (escrita por Manuel Alegre e cantada por Adriano Correia de Oliveira) constituem um marco fundamental da canção de intervenção e de resistência antifascista.
Gravou também "Menino d'Ouro" e "Menino do Bairro Negro" em 1962 e 1963.
Em 1964 parte para Moçambique, onde então conhecerá a fotografia amarga da sociedade colonial moldada ao estilo do "apartheid" de Pretória. Professor de liceu, desenvolve uma intensa actividade política contra o colonialismo, o que lhe traz problemas com a PIDE e com a administração colonial, sendo-lhe vedada a sua actividade no ensino.
Mais tarde regressa a Portugal onde é colocado como professor em Setúbal, donde posteriormente é expulso. Para sobreviver dá explicações e grava o seu primeiro LP, "Baladas e Canções".
Em 1967-70, Zeca protagoniza uma intervenção política e musical ímpar, convertendo-se num símbolo da resistência. Várias vezes detido pela PIDE, mantém contactos com a Luar, PCP e esquerda radical. Em 69 participa no 1º Encontro da "Chanson Portugaise de Combat" em Paris e empenha-se fortemente na eleição de deputados à Assembleia Nacional da CDE de Setúbal. Grava o LP "Cantares de Andarilho" recebe o prémio da Casa da Imprensa pelo melhor disco do ano, e o prémio da melhor interpretação. Alvo de censura José Afonso passa a ser tratado nos jornais por Esoj Osnofa!
Em 1971, com arranjos de José Mário Branco, edita o album "Cantigas de Maio" do qual consta "Grândola Vila Morena" que se tornará um símbolo da revolução de Abril. Desde então Zeca participa em vários festivais. É publicado o livro "JOSÉ AFONSO", coordenado por Viale Moutinho e lançado o LP "Eu sou como a toupeira".
Em 1973 canta no III Congresso da Oposição Democrática e grava "Venham mais cinco".Em 29 de Abril desse ano é preso em Caxias.
Após a Revolução dos Cravos, empenhou-se no apoio a organizações populares de base, ao mesmo tempo que participa em numerosos "cantos livres".. Grava o LP "Coro dos Tribunais" onde conta com a colaboração de Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino e José Niza, entre outros. Em 1975 canta em inúmeros espectáculos de dança e lança "Com as minhas tamanquinhas".
Em 1976 apoia Otelo Saraiva de Carvalho na candidatura à presidência da república.
Em 1981 actua no Theatre De La Ville de Paris, compõe a música de "Fernão Mendes" para a "Barraca" e grava "Enquanto há força" e "Fura fura".
Em 1985 José Afonso já se encontra doente, e o Coliseu de Lisboa é o palco do seu último espectáculo. As homenagens multiplicam-se e é condecorado com a Ordem da Liberdade. Já muito enfermo, em 1985, apoia a candidatura de Lourdes Pintassilgo à presidência da república. É editado o seu último disco, "Galinhas"
Morreu em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987, com 57 anos
2 comentários:
Já percebemos que é o seu grande ídolo. Mas por favor explique-nos porque o homenageia nesta tão singela data de 4 de Janeiro de 2006? Porque sim ou para chamar a atenção para o estado decrépito da rua com o seu nome? E já agora, é único porque nasceu em Aveiro, como todos os que cá nasceram, ou pela brilhante história de vida (incluindo o ter apoiado o "camarada" Otelo à Presidência) que o Pedro Neves aqui reproduz?
Talvez estejamos de acordo num ponto: era inteligente e a sua música marcará gerações.
Cumprimentos
Não é o meu grande ídolo, mas fez-me alguma impressão um aveirense deste calibre ter estado tanto à espera que lhe fosse dado um nome a uma rua, percebe? E claro, se calhar, o significado maior vai para mais uma obra mal feita que foi a própria rua, cheia de altos e baixos, com remendos, etc.
E continua a fazer-me impressão, gostar-se ou não de A ou B, só porque este é de esquerda ou de direita. E aqui em Aveiro o Zeca sofreu com isso. Qual é o mal dizer que se gosta dele como poeta ou musico? Só porque foi um homem de esquerda? A minha opinião, e a homenagem que aqui lhe prestei, nada teve a ver, com as suas ideologias.
Um abraço.
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